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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tenho mais o que fazer

Meus dois últimos fins de semana foram ótimos! Aniversários, festas juninas, dia dos namorados, aniversário de namoro. Mas eles só foram bons mesmo porque eu quis. Poderiam ter sido uma bosta. E seriam se eu tivesse escolhido ficar fazendo relatórios ou escrevendo sobre materiais sintéticos na construção civil. Ou desenhando e fazendo mil cálculos de curvas de nível. Eu não fiz. Um desses trabalhos era pra entregar hoje. Não entreguei.

Eu fico aqui pensando naquilo que realmente vale a pena, sabe? Eu não acho desenhar curvas de nível mais importante que estar junto da minha família... não mesmo. Mesmo sabendo que isso implica em perder três pontos no IRA. OH, O IRA! Me importo com o meu, sim, não vou mentir. Quero que ele seja bom. Mas entre um IRA alto e comer um Pitt's delícia com meu namorado dia doze, eu fico com o Pitt's. Quero saber se no meu epitáfio vai estar escrito: IRA=8,35. Eu não sou um número. Sou um ser humano feito com todo carinho por papai e mamãe pra ser feliz, certeza. E quero morrer com uma história divertida pra contar.

Que atitude é mais irresponsável: deixar de entregar uma planta baixa colorida ou jogar fora seus dias de sol e noites de sono? Quando me derem tempo suficiente pra curtir e estudar, eu prometo que faço tudo direitinho. Por enquanto, eu vou levando. Com uma sorte incrível!

domingo, 30 de maio de 2010

Aquele abraço

Era feliz e não sabia. Não havia uma manhã sem uma crise de riso. Por mais que todos se vissem diariamente, cada encontro parecia acontecer depois de muitos anos de distância. Primeiro era o vocativo, depois o abrir de braços e o fechar em torno do outro. E esse ritual era repetido diversas vezes...

Hoje é bem diferente. Falta intimidade. As coisas são meio impessoais. Travar um abraço é uma das piores sensações que se pode existir. É um sentimento de coisa incompleta que fica no ar. Quem já sentiu? A pessoa lhe fez um elogio digno daquele abraço e você não consegue dar. Ou a pessoa está num momento péssimo, precisando daquele carinho e seus braços não conseguem se mover um milímetro. Não sei o que acontece.

Alegria grande é quando encontro alguém desses outros tempos. Aí a gente se deleita em um gesto verdadeiro e cheio de saudade. Como eu sinto falta de vocês no meu cotidiano. Não há remédio melhor pra doenças do coração. E é de graça :)



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ponto de vista

É bastante simples.

Eu posso me descabelar toda por esse curso estar me consumindo da ponta da cabeça ao dedão do pé, fechar a cara e querer sumir. Ou posso erguer as mãos pro céu e agradecer por ter conseguido passar no vestibular e estar estudando "de graça" numa boa universidade.

Eu posso reclamar que detesto almoçar na universidade. Ou posso dar graças por ter dinheiro pra comprar um almoço. E melhor ainda: agradecer pelo feijãozinho caseiro de todo dia. Como a gente esquece seu valor, hein, amigo?

Eu posso ficar de cara feia porque não tenho mais roupas novas pra sair. Por outro lado, devo ficar grata por ter o que vestir. Posso reclamar que estou descuidada, que não faço as unhas desde o carnaval e que não tenho tempo para academia. Melhor: posso agradecer por ter saúde e por não ter adoecido nenhuma vez esse ano.
Posso reclamar que nada bom passa na TV ou posso simplesmente desligá-la e ler um livro. Franzir a testa pro ônibus lotado ou agradecer por estar indo pra casa.

Posso ficar com ódio por estar perdendo meu tempo assistindo a uma palestra repetida. Ou posso enxergar isso como uma forma de fixar conceitos.

Posso reclamar que a minha cidade não tem opções pra sair ou posso abrir a cabeça. Quando foi a última vez que fui à praia? Ao Parque das Dunas? A uma peça no TAM? A um espetáculo de dança? Ao Museu Câmara Cascudo? 5ª série? Eu conheço a Casa da Ribeira? O Centro de Turismo? Eu moro mesmo em Natal?

Posso reclamar que o sol tá pegando fogo. Ou tomar um sorvete delicioso, sem culpa. Posso odiar a chuva lá fora. Ou agradecer por essa água que ainda cai do céu.

Posso reclamar que ninguém tá nem aí. Ou chegar com jeito e conversar. Posso fechar a cara pro mundo. Mas aí o mundo vai fechar a cara pra mim. Solução?



Como dizem por ai: nasci sem dente, pelada e careca. O que vier é lucro!
Que não fique só nas palavras. Câmbio, desligo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Por que somos assim?

Tá feliz? Qual o motivo de tanta felicidade? Aí tem coisa...
Tá sério? O que foi que eu fiz de errado? Você não me ama mais...
Tá arrumadinho? Por que tão arrumado pra ir a universidade?
Tá descuidado? Nem  se cuida pra mim.
Liga direto? Que grude!
Um dia sem ligar? Não me ama mais.
Agarradinhos no show? Deixa eu ficar solta.
Separados no show? Você nem me protege!
Tá bonita. Só pra ficar bem na fita.
Tá gordinha, hein? Buááááá.

Enfim, como parafraseou meu irmão hoje:
- Parabéns a todos nós.
- Mas hoje é dia da mulher!
- É dia da mulher, mas quem tá de parabéns são os homens que aguentam vocês.

(Dedicado ao maguelo)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Reformando atitudes

Minha boa amiga arquitetura vai, enfim, me conquistando. Temos paquerado abertamente durante essa semana. Sem nenhuma briga.

Dentre as palestras apresentadas na SemanAU¹ da UFRN, ocorrida nesses últimos 5 dias, uma despertou aquele calorzinho no coração - Arquitetura Alternativa, ministrada pela arquiteta Viviane Teles. Não vou entrar em detalhes sobre as construções feitas com adobe ou sobre permacultura, apesar de ter ficado fascinada com tudo o que foi apresentado. A história que quero contar aqui é outra. Não é a primeira vez que ouço, nem a primeira e última vez que conto.

A arquiteta recebeu um projeto de reforma para fazer. O perfil da família que o encomendou não me é estranho: um casal, três filhos, quartos com televisão e computador; cada um isolado em seu pequeno mundo; pouca conversa entre eles. Como acontece na minha família, talvez na sua ou na dos nossos vizinhos.

Ela fez o projeto. Executou. Todas as televisões foram retiradas. A sala, por onde circulava um vento bem gostoso, recebeu uma televisão boa e atrativos para os filhos. A reação ao executado é previsível: "CADÊ A MINHA TV???".

Os meses foram passando e com eles à reação negativa ao novo ambiente. Mantendo contato com os familiares, através daquilo que chamamos de APO², Viviane ouviu uma frase que, segundo ela, jamais esquecerá: "Você salvou minha família".

A televisão agora era só uma e todos precisavam saber compartilhá-la. A confusão deu lugar à compreensão. Os filhos passaram a achar o jornal a que os pais assistiam interessante, assim como os pais começaram a assistir aos mesmos programas que seus filhos, facilitando até o entendimento da cabeça de seus bambinos. O espaço de convivência criado na sala e na cozinha afastou o isolamento de cada um nos seus quartos. O diálogo surgiu e quando menos se esperava, aquilo era um exemplo de família.

Conclusão: arquitetura não é só combinar a cortina com o tapete. É projetar entendendo as pessoas que utilizarão determinado espaço. Arquiteto tem um pouco de psicólogo, de sociólogo e até de Super Nanny (fora todas as outras atribuições).

E para aqueles que não tem nada a ver com a área, o recado é esse: pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença.

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1. Semana de Arquitetura e Urbanismo
2. Avaliação pós-ocupacional. No grosso: o arquiteto fica em contato com o cliente pra ver se o que ele projetou funciona.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Verdade verdadeira



Com toda a sinceridade: não quero ser arquiteta, quero ser bailarina. Trocaria a prancheta por um palco e o compasso por um par de sapatilhas.

Eu não amo meu curso, eu e ele somos apenas bons amigos - pelo menos por enquanto. Meus testes vocacionais apontavam sempre para o lado artístico, mas eu tremia nas bases só de pensar em revelar que faria artes cênicas ou plásticas. O curso de dança foi criado no ano em que eu prestei vestibular, mas todos esperavam uma decisão sensata da minha parte. "Quer morrer de fome?" Optei por arquitetura e urbanismo sem conhecê-la muito a fundo, muito mais pelo status da área tecnológica e por uma possível renda mais estável. Lógico que o lado artístico e criativo também contou.

Passei tranquilamente. Entrei no curso e me deparei com um universo todo novo. Vieram os trabalhos e com eles as dores de cabeça, as crises de criatividade, as noites mal dormidas (ou nem dormidas), as críticas e comparações. Se tudo isso se deu nos períodos iniciais, imagino o que virá lá na frente. Gosto sim de arquitetura, de admirar e entender o significado das coisas. A parte histórica me encanta, bem como a compreensão o processo construtivo. Só que na hora de criar, é um Deus nos acuda! Tudo que sai da cabeça parece inútil.

Eu amo dançar. Minha relação com a dança é de namoro que acaba de começar. Dançar sim, me faz bem. A sensação do alongamento, o movimento do corpo, o ritmo, os giros e saltos, tudo isso me liberta. Mesmo estando parada há dois anos, ainda sinto tudo isso muito vivo e continuo dando pirueta no meu quarto.

Se eu pudesse escolher que nem criança, hoje eu diria que quero ganhar a vida sendo bailarina de contemporâneo. Viajaria o mundo inteiro me apresentando e nem precisaria ganhar muito, só o suficiente para viver bem. Dá tempo ao tempo.

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Tinha eu 14 anos de idade
Quando meu pai me chamou
Perguntou se eu não queria
Estudar filosofia
Medicina ou engenharia
Tinha eu que ser doutor


Mas a minha aspiração
Era ter um violão
Para me tornar sambista
Ele então me aconselhou
Sambista não tem valor
Nesta terra de doutor
E seu doutor
O meu pai tinha razão


Vejo um samba ser vendido
E o sambista esquecido,
O seu verdadeiro autor
Eu estou necessitado
Mas meu samba encabulado
Eu não vendo não senhor

(14 anos - Paulinho da Viola)

BBB, blablablá

Acompanho as notícias na internet e vejo os vídeos no Youtube. Tenho raiva de alguns participantes e morro de rir com outros. A verdade é que eu gosto de assistir ao Big Brother e me condeno por isso. Assim como adoro comer batata palha com ketchup e fico com peso na consciência sempre que o faço.

Quando me pergunto por que o programa faz tanto sucesso, inúmeras respostas vêm a tona. A primeira é que, em geral, brasileiro adora ver o circo pegar fogo. Tô mentindo? Basta prestar atenção numa cena de acidente de trânsito: quanto mais sangue, mais gente em volta. Se a vizinha foi pega pulando a cerca, então... coitada. Os barracos e brincadeiras maliciosas do reality show deleitam o público.

Outra explicação é que o ser humano tem uma tendência forte a julgar o outro. Apontar fulaninha como falsa, manipuladora e vulgar ou cicraninho como mosca morta e sem graça parece provocar pontinhas de prazer. O programa nos leva a isso: julgar as pessoas e votar para eliminar quem achamos que não merece estar ali. E nos sentimos todos poderosos, donos da razão, entramos no jogo, damos palpite. Venhamos e convenhamos: em que o BBB nos acrescenta?

Se a dúvida é porque, mesmo acreditando em tudo isso, ainda continuo assistindo, aqui vai a resposta: pelo mesmo motivo que continuo indo escondida à despensa pegar batata palha. É vício. E vício é quase sempre hábito ruim que a gente luta pra controlar. Mas outro dia mudei de canal e assisti a um programa inteirinho sobre uma pintura holandesa. Me senti muito mais leve, assim como quando opto por frutas no lugar de biscoito recheado.

Hoje tem prova do líder. E eu vou ler um livro. Amanhã, Deus sabe...