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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A dor e a delícia

(Para quem espera um texto pornográfico: ALT+F4) ~ Haha! ;)

Venho por meio deste registrar a minha queixa contra qualquer tipo de julgamento, preconceito ou rótulo. Por já ter julgado errado demais, parei de fazer. Por ter perdido oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, parei de rotular. E o preconceito, que a gente insiste em mentir pra si próprio dizendo que não tem, só se vai assim. Veja bem, nem uma pessoa perfeita estaria apta a julgar o próximo, pois sendo perfeita, ela jamais o faria. Antes de lançar qualquer adjetivo no ar, reflita. Já vi muita coisa que parece esquisita por aí: gente que não bebe, não fuma e não foge, achando que tá por cima da carne seca, destilando veneno aos sete mares; e a menina rodada, malhada e bebaça fazendo o bem sem olhar a quem. Para quem você daria o seu voto pra ir pro céu? Eu não faço a mínima idéia. Deus é que sabe o que se passa no coração de cada um. E se você não acredita em Deus, acredite pelo menos na solidão e no que ela faz com nossa cabeça antes da gente dormir. Ninguém é melhor do que ninguém por motivo qualquer. Como diria Caetano: "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

E acabou numa riminha.


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p.s.: esse blog é esquizofrênico, fala com ninguém.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Reformando atitudes

Minha boa amiga arquitetura vai, enfim, me conquistando. Temos paquerado abertamente durante essa semana. Sem nenhuma briga.

Dentre as palestras apresentadas na SemanAU¹ da UFRN, ocorrida nesses últimos 5 dias, uma despertou aquele calorzinho no coração - Arquitetura Alternativa, ministrada pela arquiteta Viviane Teles. Não vou entrar em detalhes sobre as construções feitas com adobe ou sobre permacultura, apesar de ter ficado fascinada com tudo o que foi apresentado. A história que quero contar aqui é outra. Não é a primeira vez que ouço, nem a primeira e última vez que conto.

A arquiteta recebeu um projeto de reforma para fazer. O perfil da família que o encomendou não me é estranho: um casal, três filhos, quartos com televisão e computador; cada um isolado em seu pequeno mundo; pouca conversa entre eles. Como acontece na minha família, talvez na sua ou na dos nossos vizinhos.

Ela fez o projeto. Executou. Todas as televisões foram retiradas. A sala, por onde circulava um vento bem gostoso, recebeu uma televisão boa e atrativos para os filhos. A reação ao executado é previsível: "CADÊ A MINHA TV???".

Os meses foram passando e com eles à reação negativa ao novo ambiente. Mantendo contato com os familiares, através daquilo que chamamos de APO², Viviane ouviu uma frase que, segundo ela, jamais esquecerá: "Você salvou minha família".

A televisão agora era só uma e todos precisavam saber compartilhá-la. A confusão deu lugar à compreensão. Os filhos passaram a achar o jornal a que os pais assistiam interessante, assim como os pais começaram a assistir aos mesmos programas que seus filhos, facilitando até o entendimento da cabeça de seus bambinos. O espaço de convivência criado na sala e na cozinha afastou o isolamento de cada um nos seus quartos. O diálogo surgiu e quando menos se esperava, aquilo era um exemplo de família.

Conclusão: arquitetura não é só combinar a cortina com o tapete. É projetar entendendo as pessoas que utilizarão determinado espaço. Arquiteto tem um pouco de psicólogo, de sociólogo e até de Super Nanny (fora todas as outras atribuições).

E para aqueles que não tem nada a ver com a área, o recado é esse: pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença.

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1. Semana de Arquitetura e Urbanismo
2. Avaliação pós-ocupacional. No grosso: o arquiteto fica em contato com o cliente pra ver se o que ele projetou funciona.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

BBB, blablablá

Acompanho as notícias na internet e vejo os vídeos no Youtube. Tenho raiva de alguns participantes e morro de rir com outros. A verdade é que eu gosto de assistir ao Big Brother e me condeno por isso. Assim como adoro comer batata palha com ketchup e fico com peso na consciência sempre que o faço.

Quando me pergunto por que o programa faz tanto sucesso, inúmeras respostas vêm a tona. A primeira é que, em geral, brasileiro adora ver o circo pegar fogo. Tô mentindo? Basta prestar atenção numa cena de acidente de trânsito: quanto mais sangue, mais gente em volta. Se a vizinha foi pega pulando a cerca, então... coitada. Os barracos e brincadeiras maliciosas do reality show deleitam o público.

Outra explicação é que o ser humano tem uma tendência forte a julgar o outro. Apontar fulaninha como falsa, manipuladora e vulgar ou cicraninho como mosca morta e sem graça parece provocar pontinhas de prazer. O programa nos leva a isso: julgar as pessoas e votar para eliminar quem achamos que não merece estar ali. E nos sentimos todos poderosos, donos da razão, entramos no jogo, damos palpite. Venhamos e convenhamos: em que o BBB nos acrescenta?

Se a dúvida é porque, mesmo acreditando em tudo isso, ainda continuo assistindo, aqui vai a resposta: pelo mesmo motivo que continuo indo escondida à despensa pegar batata palha. É vício. E vício é quase sempre hábito ruim que a gente luta pra controlar. Mas outro dia mudei de canal e assisti a um programa inteirinho sobre uma pintura holandesa. Me senti muito mais leve, assim como quando opto por frutas no lugar de biscoito recheado.

Hoje tem prova do líder. E eu vou ler um livro. Amanhã, Deus sabe...